Domingo, 27 de Novembro de 2005

hoje deixei o Natal entrar em minha casa...

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Neste domingo frio e chuvoso o espírito de Natal e consumismo começa já a fazer-se sentir. Eu nunca dei muita importância a quadras festivas, foram muitos os anos em que uma árvore de Natal não entrou em minha casa, agora e porque os meus marinheiros se apercebem da sua chegada bem cedo e porque ainda acreditam no Pai Natal e no que depender de mim, vão acreditar ainda por muito tempo, que pelo menos uma vez por um ano um velhinho de Barbas bancas desce a chaminé e lhe vem deixar em formato de prendas alguns dos seus sonhos e desejos. Não importa o embrulho ou a cor da fita o que importa é se lá dentro está algumas das coisas por eles pedidas. O Pai Natal ( neste caso a Mãe Natal) esforça-se por lhe concretizar alguns dos seus desejos mas nem sempre é possível, mas desde novos que os ensinei que nem sempre o velhinho lhes pode trazer tudo, porque existem muitos meninos no mundo e que ele tenta dar um pouco a cada um deles. Apesar de tudo vejo a sua carita de surpresa e as suas exclamações “ Não é que o Pai Natal acertou !Era mesmo isto que eu queria” Que euforia essa noite!
Noite que nem sempre é passada comigo, porque tenho que os dividir com o outro oficial …para alguma tristeza minha, mas sei que apesar de ser eu que estou sempre presente no seu dia-a-dia , a partilhar as suas tristezas e alegrias, medos e anseios…nessas alturas tenho que os deixar partir. Mas este ano a noite mágica será passada comigo!
Hoje neste dia frio a euforia foi grande, fizemos a Árvore de natal que todos os anos sai de um saco de plástico arrumado no sótão e vem exibir a sua vaidade à janela toda vestida de fitas, bolas de cores, e enfeites novos que todos os anos são repostos. As luzes acendem e apagam como para encantar o sorriso dos meus marinheiros que euforicamente a enfeitaram e compuseram no seu jeito meio desajeitado de crianças, eu tentei que a pobre ficasse apresentável e assim olhando para ela parece que encurtam mais o tempo de espera, é como se os ponteiros do relógio andassem mais rápido e a noite envolta de magia chegasse mais cedo.
Não gosto especialmente de dias festivos porque trazem recordações que por vezes quero esquecer e porque não deixam de ser dias falsos e hipócritas, presentes trocados mas durante o ano tantas vezes as pessoas mal se falam, mal se vêm e não estão presentes nos momentos mais difíceis, mas nesse dia se sentam todos à mesma mesa vestidos de roupa nova e exibem presentes e afectos que muitas vezes nunca revelaram durante o ano. Será que pensam como os meus marinheiros que é nessa noite que a magia da amizade do dar e receber desce à mesa pela chaminé?
É uma noite também de muita solidão, pessoas sozinhas, pessoas que não têm sentado ao seu lado quem mais queriam, famílias desfeitas que não se podem juntar…e momentos de alguma dor … em cada ano que passa pode haver sempre um lugar vazio ou um lugar preenchido por alguém novo que entretanto entrou na nossa vida…Num ano nossa vida pode mudar muito!
Telefonemas anuais, mensagens feitas quase em série e enviadas para todos como se de uma fábrica se tratasse…realmente há muito que não acredito no Pai Natal mas não deixo de viver nem que seja para ver um sorriso no rosto dos meus marinheiros…
Ao escrever este texto lembrei-me de uma história que uma pessoa me contou este fim de semana .
Um vendedor percorria todas as feiras das aldeias próximas colocava um lenço branco em cima de uma mesa e um simples relógio para vender, até que um dia uma velhinha se aproximou dele e perguntou para que era aquele relógio e ele respondeu que era para vender mas que não valia a pena ela perdeur tempo porque já há muito que o tentava vender e ninguém o queria e que afinal era um relógio sem ponteiros , que não servia para nada… a velhinha perguntou se fazia barulho , o vendedor pouco convicto respondeu que sim então a velhinha afirmou que o levava para ouvir o tic- tac nas noites de solidão….
Tentem não esquecer as pessoas que estão sós e mesmo á distância façam sentir o seu tic- tac, mas não só na noite mágica porque ao longo do ano há 364 ou 365 noites que muitos nem o barulho de um relógio têm para lhe fazerem companhia…façam sentir a vossa presença em cada pequeno gesto….mas não apenas na noite mágica…
Lá em baixo sinto uma música de Natal vinda de um Pai Natal que já dançou mas que agora só toca…talvez seja o meu marinheiro mais novo que descobriu um novo brinquedo….
Vamos então deixar entrar o natal em nossa casa, nos nossos corações e na nossa vida…
pensadora
publicado por pensadora2 às 20:26
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De Anónimo a 27 de Novembro de 2005 às 22:21
venho aqui apenas contar uma Parte da história do meu pai...esse sim o verdadeiro pai natal.."naquelas noite do ano de 1949 no alentejo..meu pai de calção roto...descalço...á chaminé branca...aquecido por uma fogeira..pedia ao menino jesus umas calças..para não ter frio nas pernas quando fosse para a escola."..
não podemos esquecer que estas histórias têm uma moral...essa fica á consideração de todos vósjulio
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(mailto:jjbbranco@sapo.pt)


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