Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

ao encontro do anoitecer...

floresta.jpg

A tarde vai correndo ao encontro do anoitecer e eu continuo na minha melancolia.
O Outono chegou com ele tudo parece mais frio. As noites mais longas e solitárias.
As primeiras chuvas vão começar a cair e com elas lavamos a alma e molhamos o exterior. As lágrimas são confundidas com orvalhos e por isso passam despercebidas no meio da multidão.
A multidão, os amigos, os colegas de trabalham já se habituaram a ver o nosso rosto pela manhã que já nem se apercebem se sorrimos ou choramos. As pessoas olham-se mas muitas vezes não se vêm. Cada uma anda atarefada demais com o seu dia a dia, com os seus problemas reais ou inventados, porque há algumas pessoas que inventam problemas ou sofrem por antecipação. O Ser Humano tem uma tendência para o sofrimento, para se sentir triste por qualquer contrariedade. Somos um povo sofredor, a história fez de nós o único povo com a palavra saudade no dicionário, não que os outros povos não sintam saudade ou tristeza mas nós temos uma característica mais sofredora, talvez pelo tempo de ditadura, por partirmos cedo às descobertas e deixarmos mulheres e crianças entregues a si próprias. Temos como música característica o fado que entoa melodias de saudade, de tristeza de abandono, de solidão e amores não correspondidos.
Com a chegada do frio há uma tendência natural para nos fecharmos mais em casa, sairmos menos. Ficarmos a ouvir o vento a bater forte nas vidraças, a chuva que cai no chão e salpica tudo à sua volta Todas estas características levam-nos a refugiarmo—nos no nosso canto, na nossa solidão. Na nossa vontade de ficar em casa, mesmo que nos apeteça sair mas o Inverno passa a ser uma desculpa aceitável. No Verão temos menos razões aparentes e o próprio Sol convida-nos a espreitar pela janela, a ir ver o mar ou simplesmente caminhar a pé com destino a lado nenhum. Mas ao caminharmos sentimos que vamos em direcção a algum lugar, talvez à felicidade ou à procura de algo que perdemos com o passar dos anos. Às vezes nem sabemos o que procuramos ou o que queremos encontrar, quem sabe uma luz ao fundo do túnel para tornar as noites menos escuras e os dias mais solarengos, embora pouco aqueçam a alma ou nos façam sorrir.
Para já o Sol ainda brilha mas o frio já se faz sentir. A noite bate à porta mais cedo e o dia demora mais a despertar . Nós sem tempo para olhar um dia de cada vez! Estamos sempre à espera do fim de semana ou das férias nem que seja para ficarmos fechados dentro de casa a olhar os ponteiros do relógio avançarem devagar. Sem pressa ao ritmo do nosso coração que muitas vezes não acompanha o nosso pensamento. Esse viaja por o passado e futuro , não pede autorização e percorre sítios e sentimentos que queríamos apagar do nosso sentir.
Perdemo-nos na poeira da saudade enquanto pisamos as folhas secas que vão caindo ads àrvores como lembranças de outros tempos...
pensadora


publicado por pensadora2 às 19:41
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5 comentários:
De Anónimo a 26 de Setembro de 2005 às 14:55
O Outono é mais do que melancolia. É um renovar constante. Devíamos senti-lo não como uma tristeza, mas sim como uma alegria. É estranho reparar que todas as pessoas acham o outono triste. Eu acho-o belo e gosto dele. <> O teu texto faz pensar :) *Cakau
(http://umparaisonoinferno.blogspot.com)
(mailto:lauracatarina@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Setembro de 2005 às 10:10
Acho o teu texto uma óptima reflexão sobre o povo Português. Mas também penso que esta nova vaga (juventude) já é mais alegre e extrovertida que a população nascida dos anos 70 para trás, talvez devido ao regime de opressão em que foram obrigados a viver. Uma boa semana. segundavida
(http://segundavida.blogs.sapo.pt/)
(mailto:melo887@sapo.pt)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2005 às 18:55
Não acho que o português seja tão triste como se diz,é mais um slogan que está muito em voga.Até acho que o português se consegue divertir com pouca coisa.É talvez um tanto melancólico e gosta de axplorar essa faceta.Tem sobretudo horror ao ridículo o que o leva a refrear as suas emoções e o torna pouco expansivo.Quanto a mim,acho que todas as estações do ano têm a sua beleza.Chuva,vento ou sol, tudo tem o seu encanto,o importanto é saber encontrar o que há de belo em cada dia que passa.O PACIENTE PORTUGUÊS
(http://mmfmblog.blogs.sapo.pt)
(mailto:madacapricornio45@sapo.pt)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2005 às 11:17
Ola. Somos realmente um povo dado à dor e ao sofrimento. A natureza tem as 4 estacões, cada uma com a sua carecteristica. Umas tristes, outras belas. Eu gosto do Outouno, do tempo frio, de me sentir aconchegado dentro da roupa que visto. Gosto de sair, sentir a chuva e o frio. Não encontres tristeza nisso. Sai, vê gente, confrateniza. A natureza começa a entristecer mas não nos manda anós fazer isso. Um beijo.zzeka
(http://vamps.blogs.sapo.pt)
(mailto:zzeca855@hotmail.com)


De Elder alves a 30 de Novembro de 2006 às 15:21
todo povo tem sofrimento na sua historia mas isso nao tem aver q o povo venha ter essa caracteristica vcx faz a sua historia seja triste ou feliz.
Esmfe


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