Sábado, 30 de Julho de 2005

num minuto...

mar de sonhos2.jpg

Fui tratar de uns assuntos lá para o lado da igreja e reparei que um casamento se aproximava , nem olhei bem para a noiva, apenas pensei nas ilusões e nos sonhos que ela levava no sorriso. Hoje é o culminar de meses de preparativos para que tudo seja perfeito só que o amanhã é uma incerteza na vida daquelas duas pessoas que disseram já o " sim" certamente!
Ao mesmo tempo noutra sala da igreja uma pessoa para quem o dia hoje terminou mais cedo e ali os preparativos seriam outros . Flores também não faltariam só que o formato seria diferente. As risadas e os brindes darão lugar a rostos sem cor e as lágrimas encherão os copos. A tristeza fará contraste com alegria do outro lado da rua! Uma vida hoje se despede. Não lhe conheço a entidade , nome ,idade mas também agora que importa isso? Passou a ser o “ morto”! É assim que nos referimos a quem deixa de respirar “ o morto vai a enterrar” é como se deixasse de ter nome ! É como se toda uma vida desaparecesse…deixasse de existir! Não importa quem era, apenas será o morto.
Como do outro lado da rua estavam os “ noivos” por um dia deixaram de ter nome e passaram a ser os noivos!
Estes acontecimentos quase em simultâneo que por acaso me apercebi fez-me pensar como num minuto apenas tantas coisas podem estar acontecer neste mundo! Pessoas que nascem , que morrerem , fazem amor, se agridem, discutem , se entendem, vão às compras , sorriem , choram….como é complexo este mundo! Num minuto apenas a nossa vida pode mudar para sempre!
Num minuto apenas podemos deixar simplesmente de existir e dar lugar a um corpo sem vida, quanto à alma são tantas as teorias que eu prefiro nem opinar! A morte nunca me assustou! Talvez pelo meu fascínio do desconhecido! Tantas vezes quase a chamei para aliviar a dor e a solidão! Só que agora vais me desculpar mas não sou livre nem para morrer, não me posso dar a esse luxo, sei que o mundo continuava a girar se eu partisse mas agora não tenho tempo nem liberdade para te escolher, por isso fica aí quieta não venhas bater à minha porta porque eu não te a vou abrir. Aliás tens um péssimo hábito vens quase sempre sem ser convidada. Alguns chamam-te, convidam-te não importa porque o fazem! Mas na maioria das vezes vens sem avisar, chegas de mansinho, e algumas vezes pegas na mão do ser escolhido e partes com ele de repente como se fossem para uma ilha deserta onde mais ninguém vos encontra e deixas todos perplexos, outras vais te instalando devagarinho, deixando pequenas marcas em cada dia que passa! Para desespero do escolhido que se apercebe da dor que causas! Como podes ser tão cruel? Como podes ser tão egoísta e levares contigo ramos ainda a florir e que têm a cabeça cheia de sonhos e amor para dar ? Muitas vezes não ouves quem suplica por ti, quem sente que já pouco tem a fazer neste universo e espera-te dia a dia como se esperasse o ser amado que há muito não se encontram!
Quanto a mim, nada tenho contra ti, afinal és o fim deste meu percurso por este universo chamado Terra e eu sei que um dia virás, não sei o meu lugar na tua lista, não sei quanto tempo falta , porque afinal num minuto apenas a vida de uma pessoa pode mudar para sempre…E não sei quando será o meu minuto…! Mas não tenhas pressa!
Eu peço-te que tenhas paciência porque ainda tenho muito para fazer por estas bandas e deixava dois marinheiros sem porto de abrigo, mas quem sou eu para te pedir alguma coisa?
Aos “noivos” que nunca derramem uma lágrima e ao “ morto” que o trates com carinho e o deixes ficar em paz no teu leito!
E num minuto apenas tudo muda , até eu ter ido às compras para aqueles lados naquele momento fez com que os meus pensamentos percorressem caminhos que eu nunca imaginei percorrer hoje!
Com tudo muda num simples minuto, só por estarmos a uma determinda hora num determinado lugar...

pensadora
publicado por pensadora2 às 16:43
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

ao meu lado...

recanto.jpg




Apetece -me pedir-te que não saias de perto de mim e que não deixes que eu me afaste de ti porque preciso muito de ti e sinto que também precisas de mim! Temos sonhos tão parecidos, temos os mesmos horizontes, as mesmas ambições e desejos.
Se estiveres com atenção notas que a tristeza depressa vai embora e raramente entra , apenas quando a saudade bate. Só te peço que não me deixes sozinha no meu caminho! Já tive várias encruzilhadas nesta estrada da vida e nem sempre soube seguir o caminho mais certo! Contigo sinto que é diferente!
Eu sei que me vais deixar seguir o meu caminho, porque não é um caminho solitário, não saias de perto de mim! Acredita que juntos conseguiremos dançar o ritmo da felicidade!
Vamos conseguir libertar este amor reprimido, sou o teu rumo e tu a minha sorte!Tu és a chama que brilha na calada da noite.
Só te peço que não te afastes não me deixes sozinha! Estou cansada demais!
Só juntos conseguiremos vencer os obstáculos!
Obrigada por estares ao meu lado...por me teres voltado acreditar que o sonho existe e pode ser realizado!
Sem ti sentia-me um jardim de Inverno, hoje voltaste-me fazer sorrir e as flores começam a florir em tons alegres! Há muito que o meu céu deixou de ser cinzento...
Obrigada por estares ao meu lado...e do meu lado!

pensadora



publicado por pensadora2 às 23:19
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Terça-feira, 26 de Julho de 2005

saudade...dia dos avós!

velha.jpg

Quase me passava despercebido mas a minha mãe fez questão de me lembrar que hoje era o dia dos avós, talvez para se sentir mais acarinhada pelos netos. Eu não ligo a dias " assinalados"mas não pude deixar de viajar a um lugar chamado saudade e lembrar a minha avó materna com quem sempre tive uma afinidade forte de carinho! Ela protegia-me das fúrias da minha mãe! Fúrias que hoje transformou em doçuras com os netos!
Tenho saudade de tanta coisa, os motivos são tantos, difícil até enumerá-los. Tenho saudade da minha infância, que apesar de não ser uma infância repleta de felicidade, tenho saudades do colo da minha avó! .
Foi com o meu avó que comecei a gostar de ler, sentava-se tardes a fio à janela da sua humilde casa a ler tudo o que lhe era possível na altura! E essa imagem ainda tenho na minha mente! Refugiava-se no quarto e ia sempre tomar o café só para ler o jornal e demorava horas a lê-lo , para descontentamento dos outros clientes! Hábitos que eu herdei durante anos no mesmo café e as comparações eram impossíveis de não serem feitas. Tenho saudade da pequena casa dos meus avós sempre cheia de filhos e netos. Uma casa onde faltava quase tudo mas havia sempre lugar para mais um! Um lugar sempre livre à mesa e o pouco que havia era repartido!
Hoje a casa já não existe no seu lugar está lá um prédio e eles moram num lugar que ninguém conhece onde a única referência que temos é uma lápida em cima de uma pedra fria. Mas para todos os efeitos é esta a última morada que lhe conhecemos e às vezes quando me sinto mais triste ou feliz vou-lhe lá contar! Falo mais com a minha avó ( coisas de mulheres) era bonita a minha avó , uma mulher de garra que partiu depois do meu avó já cansada de lutar com a velhice e a doença! Era o pilar de uma família numerosa e todos muito diferentes! Era uma mulher simples, mas muito respeitada cá na terra! Que saudades eu tenho de ti, mulher dos sete ofícios! Mulher que cedo me ensinou aprender que era preciso lutar, sei que se fosse viva ficava triste com algumas coisas que já fiz mas sei que me amava na mesma, porque eu sempre soube que era a neta mais próxima apesar de ter muitos, mas era eu que estava presente para levar ao médico, a passear ajudar a trabalhar que acompanhava na ambulância sempre que tinha as suas crises de falta de ar! Que saudades avó! Sei que se ainda estivesses entre nós não conhecias este mundo de tecnologias e violências! Não conheceste os meus filhos! Mas eu sei que estejas onde estiveres já me estendestes a tua mão e me ajudaste a encontrar o caminho mais certo nos momentos mais difíceis da minha vida!
A tua também não foi nada fácil era tão bom se me pudesses pegar ao teu colo e embalar com as tuas mãos fortes de trabalho árduo.
Tenho saudade da tua protecção . Quase nunca te vi chorar! Tu avó é que às vezes e só tu vias lágrimas em meu rosto, que eu deixava misturar com a chuva, mas que tu sabias distinguir os pingos da chuva com as lágrimas do meu rosto!
Tenho saudades tuas , como tenho! Tu que vives até hoje no meu coração, tão perto, mas não te posso tocar e pedir a tua ajuda! Beijar tuas mãos tremulas que afagavam meus cabelos de mulher, feita criança.
Tenho saudade de tudo que passei ao teu lado...e eu que nem sei se um dia serei avó! A vida é uma incerteza e eu ás vezes sinto-me já cansada, queria repousar no teu colo e ouvir as tuas palavras de mulher lutadora a dizer-me" Não tenhas medo...segue o teu caminho"
Ai que saudades eu tenho de ti!
publicado por pensadora2 às 21:55
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2005

sol de Inverno...

nature_207.jpg




Mais um dia em que enfiei a cabeça na areia como avestruz, ou seja na cama, não vi quase o Sol apesar de estar um dia bonito de Verão . Não saí da cama , não comi, dormi e acordei. Só às 17.00m saí de lá porque as obrigações domésticas me chamaram , senão ainda lá estava.
A tristeza continua a consumir-me, as coisas mal resolvidas continuam a fazer de mim um trapo sem ânimo. Acho que a tristeza já roeu tudo o que tinha a roer , penso que agora o que habita em mim é a amargura e o desânimo.
As ruas devem estar cheias de gente nesta época de Verão, corpos estendidos ao Sol, dinheiro gasto em férias de sonho ou as possíveis. Eu não me apeteceu entrar nessa correria apesar da minha paixão pela praia e mar! Preferi continuar a enfiar a cabeça na toca, isolar-me do mundo e fazer de conta que ele não passa por mim. Assim parece que não envelheço. Não vejo o que se passa lá fora. Estou completamente isolada.
Enquanto estive com a cabeça enfiada na cama e enquanto não dormia, pensei no que mais recente me aconteceu, no que quero e não quero, no que me faz doer, mas confesso que não sei bem a razão desta amargura toda. Revi toda minha história de vida, como se de um filme se tratasse, havia partes que eu gostava de cortar, mas não consigo é mais forte que eu! Afinal sou a personagem principal de uma história inventada por mim ou com ajuda sei lá de quem! Sei que se fosse eu sozinha a escrevê-la havia capítulos que saltava e outros salpicava num tom mais claro! Às vezes parece tudo demasiado negro e cinzento, ,mesmo que tenha vivido histórias de cor-de-rosa e saber que não estou sozinha nesta minha caminhada. Só que é uma história com demasiadas personagens e caminhos, becos e encruzilhadas e nem sempre sabemos o caminho que seguir. Porque não queremos magoar ninguém , e isso é muito difícil!
Os meus príncipes chegaram do seu outro castelo , o mais novo , talvez pela sua tenra idade não entende que o pai é um rei para ele, mas há muito o deixou de ser para mim. Chegou a chorar a chamar por ele e assim se tem mantido!
Isso ainda faz aumentar a minha dor! Porque afinal a rainha, a princesa e talvez até a bruxa má no seu conto de fadas sou eu! Eu sei que são demasiadas personagens para uma só pessoa e talvez por isso ele se revolte!
Afinal o rei dele está longe e ausente! Não se preocupa se ele está doente ou triste, contente ou alegre , vem buscá-lo às vezes e leva-o a passear ou para um castelo pequeno e fechado. Mas é o seu rei! E eu quem sou? A princesa? A Rainha a Bruxa má? Que o chama atenção que o leva todos os dias à creche, põe pensos nas feridas imaginárias e que tenta já perceber as feridas da alma para as curar com ternura e carinho. Sorrir mesmo quando tenho vontade de chorar…como hoje! A tristeza empacotei-a no momento que tocaram à campainha e talvez só a volte a desempacotar depois de os deitar. Agora vou ser cozinheira, ama , companheira , criança novamente!
O mais velho chega sempre ausente como quem já percebeu que tem que se dividir e não falar muito para não magoar nenhuma das partes, às vezes parece que nem é personagem desta história tal é o seu afastamento apesar de ser tão novo! Parece já ter percebido que há guerras que não lhe pertencem e vai e vem conforme lhe comunicam que tem de ir ou ficar!
Sei que ninguém tem a vida que gostaria, mas às vezes pergunto-me porque a complicamos, porque a sociedade nos obriga a esconder sonhos, fantasias e desejos!
Eu depois de ter feito todas as minhas tarefas , só me falta deitar os meus príncipes contar uma história . Eu que não vi o Sol talvez vá espreitar a Lua ! A Lua também tem uma beleza própria, mais triste, mas é na noite que nos conhecemos melhor e nos entregamos mais a sermos mais autênticos, menos dissimulados ou inventados.
Neste momento só sei que o passado está vivido , embora não esquecido, o presente a passar depressa , e o futuro uma incerteza . Amanhã um novo dia que não quero viver neste Sol de Inverno…

pensadora
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2005

a minha caixa de tintas...

<img alt="vazio.jpg" src="http://pensadora2.blogs.sapo.pt/arquivo/vazio.jpg" width="200" height="158" border="0" / Entre muitas paixões na minha vida a pintura foi sempre uma adiada, ou por falta de tempo, disponibilidade ou até dizia eu alguma falta de jeito. Só que agora resolvi arranjar uma caixinha de pintura onde não falte cor nenhuma e com elas vá enchendo minha tela ou papel de amor e ternura! Quando a abri pela primeira vez era como se estivesse abrir um tesouro ! Ollhei-a e vi que tinha todas as cores, cores brilhantes, cores doces e meigas. Tinha o vermelho para pintar a paixão , o preto para pintar a tristeza e o desgosto que a paixão e amor por vezes arrastam consigo! Tinha o amarelo para pintar as areias quentes, os girassois as tulipas e as rosas, o laranja para pintar o pôr do sol a deitar-se sobre o azul do mar e dos céus! Azuis de várias tonalidades para preencher todo o horizonte! O verde para pintar campos e jardins, o castanho para pintar ninhos e as folhas velhas a cairem das àrvores! O Cor-de rosa para pintar os sonhos e o carinho do abraço de uma criança! Tinha o branco , a cor mais usada da minha caixa...peguei nela espalhei-a pela tela queria pintar a Paz! Mas essa é a mais dificil de pintar! Porque a paz é algo tão fugidio , o mundo vive em constantes agitações. O nosso coração támbém vive sempre ansioso, em conflito ou com medos! Por isso não fui capaz de pintar a Paz! Mesmo assim vou enchendo a tela de cores , dando formas, criando sonhos e fazendo crescendo fantasias... Com a minha caixinha de pinturas vou criando um mundo mágico como uma criança que brinca ao faz de conta. Eu também viajo entre tintas e pincéis, vejo o outro lado do mundo com o meu olhar ora sereno, ora agitado! Mas é a minha forma de ver o mundo...e deixar entrar a luz em meu coração! Bem, as minhas telas estão a chamar por mim...sentem saudades do meu jeito desajeitado...estão cansadas de estar fechadas e não serem usadas... Todo o ser humano e todos os objectos querem ser tocados , é uma forma de se sentirem desejados e úteis ! Vou dar-lhes carinho e enchê-las de cores fortes e doces!... pensadora
publicado por pensadora2 às 20:18
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Domingo, 17 de Julho de 2005

o meu quarto..

fechadura2.jpg
O meu quarto

Podia ser um quarto como tantos outros que existem em tantas casas, cidades e países, com uma cama , um guarda –roupa, uma cómoda…e tantas outras coisas..mas é o meu quarto e por isso é diferente de todos!
Um quarto só meu que já não reparto com ninguém, remodelei –o, ele já partilhou comigo vários momentos. Aquelas paredes são diferentes de todas as outras da casa, já me viram chorar, doente, desanimada, pensativa, nua , vestida…viver momentos de prazer e de dor…
Às vezes deito-me cansada , triste, revoltada comigo com o mundo e com a vida! E desabafo nele a minha mágoa.
Na mesa de cabeceira amontoam-se vários livros que me fazem pensar, sonhar ou viajar num mundo que não é meu! Muitas vezes me sinto personagem de uma história que não me pertence…no chão revistas que me fazem reflectir…e em cima da mesa de cabeceira o despertador que não uso porque substitui pelo telemóvel o leitor de CD portátil para me deixar embalar por melodias de sonho ou tristeza…Que me fazem recordar sonhos antigos, histórias e amores passados e que tento tirar da lembrança mas que a saudade não deixa!
É o sitio perfeito para pensar , em tudo e sobre tudo. Deito-me na minha cama e tudo parece diferente, nas noites em que as horas parecem nunca mais passar..a minha cama não reclama das voltas e revoltas que dou, os cobertores são tratados como intrusos!! Ela já me sentiu viajar, o coração a palpitar, voar, gritar..chorar…mas sem nunca sair do lugar! E sempre soube ouvir os meus gritos de alerta!
O meu quarto é o “meu porto de abrigo”… um amigo, quase a minha segunda consciência. Se as paredes falassem podiam contar quase toda a minha história porque já lá vivi ou recordo os bons e os maus momentos de uma vida!
Ao falar do meu quarto sinto-me uma jovem adolescente , porque eles normalmente gostam tanto do quarto, que se refugiam lá e quase colocam autocolantes na porta” Não incomodar” “Proibida entrada a estranhos” arrumam e desarrumam e quando não querem ver ninguém fecham-se com a musica bem alta.Lá virá o dia em que um quarto da casa será quase impedida a minha entrada…como eu fazia aos meus pais!
O meu tem sempre a porta aberta, mas os segredos ficam gravados em cada canto ou recanto…e mesmo sem fechar a porta eles não voam …ficam ali quietos e parados!
O quarto é o lugar mais íntimo de uma casa…ele nos conhece por dentro e por fora….
E todos temos os nossos segredos, os nossos jardins proibidos, coisas que guardamos no mais intimo de nós! E eu como toda gente também tenho os meus segredos, por mais que falemos de nós há uma parte que apenas habita no nosso ser, no nosso pensamento e que em nenhuma chave consegue abrir! Mesmo aqueles que têm a chave do nosso coração…e entram dentro dele com facilidade! E são tantas as pessoas que temos dentro do nosso coração embora com sentimentos bem diferentes!

pensadora

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Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

o mar na minha vida...

barco.jpg


“Não podemos mudar a direcção dos ventos, mas podemos ajustar as velas”
Hoje acordei um pouco melancólica , triste sem saber muito bem as razões! Nem na praia me sentia bem e eu e o mar sempre tivemos uma relação de proximidade e respeito. Sempre vivi a poucos quilómetros dele, sempre senti o seu cheio e aprendi a conhecê-lo.
Desde muito nova que mal os primeiros raios de Sol aqueciam no horizonte eu partia de mochila às costas, de bicicleta, ao seu encontro! Não me importava se as águas estavam frias, gostava de o desafiar mergulhando nas suas ondas, correndo como uma criança atrás de uma bola, para não deixar fugir a melhor!
Hoje já não tenho a coragem de outros tempos, mas continuo a apreciá-lo, a procurá-lo nas horas de maiores incertezas. Falo com ele em silêncio, aprecio o seu estado, ora revolto ora calmo. Olho para o infinito tentando adivinhar aonde aquele mar me levaria se pudesse caminhar sobre ele, sem destino, como um barquinho de noz, balanceando-me nas suas ondas. Houve momentos em que apeteceu partir e não voltar, não ter ninguém à minha espera em nenhum cais!
A vida é um pouco como o mar, umas vezes calma e serena outras agitada e enfurecida. Tentamos mesmo em barquinhos frágeis fazer-lhe frente! Partimos sem grande segurança mas sempre ajustando as velas para conseguirmos vencer as ondas das incertezas e dos medos.
Enquanto lutamos para não naufragar passam ao nosso lado paquetes e belos barcos que perguntam se precisamos de alguma coisa, mas seguem o seu caminho, indiferentes às nossas dificuldades neste imenso mar que é a vida! Não têm tempo para ficar e nós continuamos a nossa luta tentando chegar a um porto seguro. Talvez até consigamos atingir uma pequena ilha para lá descansarmos da fadiga que é existir!
Mas tu, mar, és traiçoeiro! Quantas vidas jazem em ti? Quantos barquinhos frágeis já derrubaste? Tu podes ser o mais terno dos amigos, mas de repente transformas-te no mais feroz de todos os seres. Só que és algo a que não se resiste pela tua beleza e pelos segredos que escondes!
Hoje, fui mergulhar nas tuas águas estavas calmo quase sem ondas batias na areia com suavidade, a tua espuma branca parecia bolas de algodão. Mas eu gosto de te ver agitado, transmites-me coragem para seguir o meu viver, neste meu frágil barquinho, e quem sabe atracar junto a um paquete. E , apesar da minha pequenez, alguém reparar nos pequeninos barcos que circulam na estrada da vida!
Viver longe de ti era como se um bocado de mim se fosse, sinto a tua falta como se de alguém querido se tratasse, mas já não me aventuro como noutros tempos, porque em terra tenho dois pequenos marinheiros que me fazem voltar sempre ao porto .
Um dia quando os meus olhos se fecharem para sempre, em ti quero repousar; não gostava de ficar fechada num buraco sem ar, queria que as minhas cinzas fossem atiradas na tua imensidão. Não queria ser mais lembrada, queria descansar nas tuas ondas que outrora venci, nas tuas águas que tanto apreciei e assim descobrir mais os teus segredos! Porque os meus tu já sabes, é a ti que recorro quando preciso de tomar uma decisão ou sinto-me sem forças para ajustar as velas. Descanso sentada na areia! Olho o infinito e adivinho cada resposta pela forma como bates na areia, sinto-te sussurrar-me as respostas que precisava ouvir. Depois levanto-me, sigo o meu caminho e tu ficas indiferente ao meu sofrimento, continuando a enrolar ondas que se desfazem ao chegar a terra.
Tu és um pouco de mim. Só espero que quando já não for eu a tomar as minhas decisões, os meus pequenos marinheiros ou quem estiver perto de mim respeitem esta minha vontade de ser tua para sempre! Transforme o meu corpo em cinzas e me deixe ser livre; não quero continuar prisioneira deste mundo, quero pertencer-te! Quero deixar a minha alma partir à descoberta, percorrendo outros mares e paisagens. Irei contigo, desfeita nas tuas ondas.


pensadora
publicado por pensadora2 às 20:38
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2005

lado a lado...

baia.bmp



Gostava que pudesses estar sempre ao meu lado
que na minha vida não te tornes passado
que juntos consigamos vencer as dificuldades
que possamos sempre dividir as nossas felicidades.

Que as lágrimas que correram em nossas faces
Não corram mais!
A distância que, eventualmente, nos separa
que incomode tanto que nos faça voltar.

Que encontres nas minhas palavras
as verdades que procuravas,
que tenhamos calma para aceitar
os desencontros da vida!

Que entre nós tudo seja interminável,
que seja belo e magnifico
mesmo o que não chegue acontecer
Que saibamos vencer!
E encarar com simplidade...
Não pode ser! Mas que não seja razão
para nos afastar, mas sim aproximar!

pensadora



publicado por pensadora2 às 22:31
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2005

corrente da vida...

ela.jpg




Pessoas são como elos
de um cadeado...
Elos que se entrelaçam pela força do destino,
Elos que se definem pelo livre arbítrio.
Pessoas formam histórias,
Histórias de vida com rumos pré destinados.
Histórias de vida livre fruto dos próprios atitudes
O nosso eu é formado de pessoas...
Pessoas que amamos, odiamos,
especiais ou insignificantes.
A nossa história é formada por pessoas.
Muitas delas ficam apenas um pouquinho connosco...
Outras uma eternidade de tempo físico...
Outras uma eternidade de tempo imortal.
Essas ficam connosco
mesmo depois que o elo físico se rompe...
São relações eternas de amor!
O rompimento doloroso só é capaz de provocar
o afastamento da matéria.
Do espírito jamais...
São essas as pessoas que fundamentam
o nosso alicerce de vida....
Elas vão e ficam ao mesmo tempo.
São pessoas que jamais nos deixam sós,
Pelo simples facto de morarem dentro de nós...
Essas são elos inquebráveis,
que nos tornam capazes de ser
também elos em outras vidas...
Elos de amizade...
Elos de amor....
E assim é a corrente da vida,
Onde as pessoas formam sempre elos...
Sinto que vivemos
em uma nova era de relacionamento
elos...
elos virtuais... mas tão reais
Elos que nos marcam profundamente.
Elos que podem mudar uma vida...
Elos que podem construir um novo querer
Eles que que nos marcarão para sempre...
Elos que deixam marcas profundas!
Enfim a bida e feita de pessoas e de elos
que formam um cadeado!
O cadeado da vida!
Sem elas a vida são elos sem ligação...
Que não formam um cadeado!

pensadora



publicado por pensadora2 às 22:44
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Sábado, 9 de Julho de 2005

as flores do jardim da nossa casa

ROSA2.jpg

O poema que vou transcrever é cantado por Maria Betânia, considero um poema de rara beleza e transcreve sentimentos pelos quais já todos passámos em algum momento da nossa vida...

" As flores do jardim da nossa casa
Morreram todas de saudade de você
E as rosas que cobriam nossa estrada
Perderam a vontade de viver

As coisas que eram nossas se acabaram
Tristeza e solidão é o que restou
As luzes das estradas se apagaram
E o Inverno da saudade começou
As nuvens brancas se escureceram
E o nosso céu azul se transformou
O vento carregou todas as flores
E em nós a tempestade desabou

Eu já não posso olhar nosso jardim
Lá não existem flores
Tudo morreu para mim

Não posso mais olhar nosso jardim
Lá não existem flores
Tudo morreu para mim

Mas não faz mal
Depois que a chuva cair
Outro jardim um dia
Há de reflorir

Eu já não posso mais olhar nosso jardim
Lá não existem flores
Tudo morreu para mim"

Todos nós em determinado momento da nossa vida olhámos em nossa volta e não vimos flores no nosso jardim, tudo morto, um jardim de Inverno e nós sem forças para o reconstruir. Sentimos esse vazio porque partiu alguém de quem gostávamos, ou porque a vida nos traçou alguma cilada para a qual não estávamos preparados.
Tudo à nossa volta está sem vida! Mas um dia quando menos esperamos uma sementinha que ficou quase esquecida naquele deserto começa a nascer ,a florir e aos poucos voltamos a ver vida em nosso jardim, em nosso coração. A esperança volta a renascer naquela pequena semente e com amor e carinho voltamos a criar um novo jardim, talvez diferente do primeiro, mas também cheio de beleza.Talvez flores brancas em vez de vermelhas...amarelas, azuis, cor-de rosa...aos poucos um novo jardim cheio de cor está diante de nós!
Triste daquele que fica sentado a olhar o jardim desnudado sem forças, ou esperanças em plantar um novo jardim , torna-se num ser sem beleza que não sabe amar nem cuidar de uma simples flor! À sua volta é só tristeza e dor...e um jardim abandonado onde já não caem chuvas porque as nuvens que o assolam tornaram-se cinzentas mas secas. Não sabem deixar cair chuva em forma de lágrimas, para se tentarem proteger!
Mas que é a vida sem um jardim para cuidarmos ? Uma plantinha para regarmos?...

pensadora
publicado por pensadora2 às 22:40
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