Domingo, 29 de Maio de 2005

a árvore da vida

rua deserta1.jpg



( Este texto foi escrito já algum tempo, nem sei a data…mas agora descobri-o e quase parece actual porque todos os dias sofremos desilusões , tristezas... È um pouco triste mas achei-o bonito …e quem sabe actual, se não o for para mim para tantos seres nesta vida!...)


A vida do ser humano é parecido a uma árvore inicia-se por uma simples semente a quem é necessário dedicar todos os cuidados. Regar , alimentar, dar carinho e que vai crescendo e estendendo os seus ramos no início ainda frágeis, que baloiçam com qualquer aragem. Mas têm muitas vezes a mãe árvore que cuida dela!
Com o passar dos anos o seu tronco e vai se tornando mais forte e com eles vários ramos se vão espalhando e tem que aguentar ventos e tempestades. As pessoas que cuidavam da arvorezinha vão deixando de o fazer e ela tem de aprender a cuidar-se. Outras árvores se vão cruzando no seu caminho, que lhe dão algum carinho e alegria ajudam-na a crescer de uma forma feliz e saudável!. Só que muitas vezes essas mesmas árvores que lhe davam carinho, transformaram a sua vida numa verdadeira tempestade de dor e desilusão.
O tronco vai ficando mais enrugado, cansado e então essas pessoas olham para o lado e observam árvores mais jovens , belas menos cansadas pelas amarguras da vida e então partem em busca de um novo abrigo esquecendo todas as juras e as promessas que foram feitas.
Fica uma árvore triste cansada sofrendo a solidão da noite parecendo uma árvore de Outono em que as folhas vão caindo e ficando amarelas e secas. Com os ramos desfeitos apenas o tronco ao alto sem forças para lutar. São noites de insónia a olhar as estrelas a relembrar o passado e tentar perceber porque descemos das nuvens de uma forma tão rápida e triste. Das nossas folhas caem orvalho em forma de lágrimas, com sabor a fel e desalento.
Mas mais nada podemos fazer a não ser tentar ficar na nossa companhia e tentando fazendo nascer novos ramos para que a árvore volte a ter vida. Silenciar a nossa dor na noite escura. Quando chove lava a alma de uma árvore desnudada e sem vida.
Mas agora é tarde demais! Acreditámos nas palavras que não passaram de enganos, de palavras furtivas senão não te terias encantado tão depressa por uma árvore mais bela e jovem abandonando-me no meio da floresta sozinha sem uma palavra de conforto e tu sabes que eu tenho medo da noite, da solidão. Só resta me continuar o meu caminho com o coração machucado, sem esperança e com feridas profundas, mas uma árvore cai sempre de pé.
De pé que continuo embora com os ramos desfeitos pela dor, desnudada de sentimentos ou ilusões apenas existe em mim tristeza e dor. Acreditei num amor livre e sem barreiras, mas tu não quiseste ficar, foste passear por outro jardim e eu fiquei com o coração descompassado de tanto sofrer. Tento soltar as amarras e também partir em busca de outras árvores, flores mas ainda não consigo! Para mim é cedo demais tu ainda estás demasiado presente em minha vida, todas as palavras que te disse foram sentidas, foram verdadeiras. Então fico aqui nas horas mortas e intermináveis da noite , olho as estrelas no seu cintilar e a beleza da lua e são nestas horas de tristeza e dor que mais te recordo. Ouço um pássaro cantar ao longe um canto triste e solitário, que me faz ainda mais aumentar a saudade e a incompreensão. Eu apenas canto prantos de saudade e dor.
Mas não quero mais chorar por ti vou pedir à lua que te arranque de dentro de mim, que leve para longe este sofrer e aos poucos vão apanhando ramo a ramo, os que tu cortaste e quem sabe um dia voltar a ser uma árvore amadurecida mas sonhadora…agora não tenho sonhos limito-me a olhar as estrelas e reviver o passado, sem entender o presente e sem saber nada do futuro. Mas vou varrer-te da lembrança colocá-las numa caixa e enterrá-la bem fundo num terreno bem longe de mim onde nunca te possa ir desenterrar !
Não pensarei mais em ti! Será?...

pensadora
publicado por pensadora2 às 18:29
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