Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

solidão vagabunda...

menina da lua.jpg



Ontem a conversar com uma amiga veio –me à memória este termo, porque eu sempre me considerei uma solitária vagabunda, não porque corra de bar em bar, tente encontrar afectos furtivos num copo de bebida e sonho…. Ou porque ande a vaguear nas ruas sem destino!
A minha solidão é uma entrega total a mim, sem horas para acordar e deixar-me embalar pela noite, ler até os olhos me doerem, escrever até esgotar a minha alma de ideias que possam ser lidas ou contadas….ouvir músicas que me tragam à memória factos e sonhos passados, desilusões ou ilusões vividas em determinado altura.
Abrir a janela e deixar a musica voar ao ritmo das estrelas e soltar entre os meus dedos um fumo cinzento só pelo prazer de o ver desaparecer no horizonte, ser arrastado pelo vento e enamorado por alguma estrela que o encantou.
Sinto falta destas noites solitárias entregue a mim própria aos meus devaneios, sem ninguém interromper os meus pensamentos, os meus sonhos, as minhas ilusões.
Deitar quando a manhã começa a despertar e acorda as estrelas , às vezes também ensonada e há dias em que prolonga a noite para não ter que se levantar, dias em que o sol demora aparecer porque a manhã sente-se cansada de acordar todos os dias quase à mesma hora… ao som dos galos, do barulho dos carros, empurrada pelo Tempo esse senhor que comanda as nossas vidas!
É o Tempo que determina as horas para dormir, jantar, trabalhar para ir ao médico, ao cinema…e às vezes temos tanta pressa , sem tempo para esperar . Só que o senhor Tempo não dá tréguas ele é rei e senhor…e somos tantas vezes repreendidos por sua causa. Basta uns minutos de atraso para ele na sua calma se irritar …. O tempo é um velho senhor que já viu tantas coisas, que já assistiu a rostos alegres, a rostos amargurados só porque chegaram tarde demais, mas ele não se comove e prossegue a sua viagem…. Aprendeu a não se comover e deixar correr o dia, a noite o amanhecer…
Queria ter tempo para ser uma solitária vagabunda, não ter horas para dormir ou comer, não ter que ouvir aquele som irritante logo que a manhã está a despertar avisar-me que está na hora de saltar da cama, sempre com a sensação que dormi depressa demais, tantas vezes penso em não me levantar ignorar aquele som como se fosse engano e continuar a dormir…mas não sou vagabunda solitária e tenho de ir… outras pessoas me esperam.
Sinto falta do silêncio da noite interrompido pelo carro do lixo , ou por um carro espaçado que se esqueceu de ir para casa e que anda provavelmente a vaguear pelas ruas desertas para não encontrar as luzes apagadas e a noite passar mais rápida..
Quero ser vagabunda solitária viajar pela noite dentro, olhar pela janela e procurar no silêncio da minha alma a minha existência e levar a minha vida na palma da minha mão e entregá-la ao vento.
Queria desatar de mim todas as amarras e na noite encontrar o caminho da solidão , mas uma solidão sem o ser, apenas uma forma de me encontrar , livre de tristezas e cansaços…
Que saudades eu tenho se ser vagabunda solitária e parar o tempo para não ter que me preocupar em cumprir as regras impostas pelo Tempo…

pensadora

publicado por pensadora2 às 19:53
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11 comentários:
De Anónimo a 28 de Janeiro de 2006 às 01:06
Gosto dessa tua solidão vagabunda. A minha solidão também é vagabunda mas é diferente. É a mim que procuro e já não estou sempre sòzinho neste desidério. Há uma luz que me guia, uma sereia que me aparece de quando em vez, uma voz amiga que me aconselha. A vesdadeira solidão, essa, já passou... Também quero ser criança.sonhador
(http:/sonhador02.blogs.sapo.pt)
(mailto:raulbsousa@gmail.com)


De Anónimo a 27 de Janeiro de 2006 às 18:48
A solidão vagabunda é um estado de lucidez...mas não é um projecto de isolamento...pois esta solidão tem sempre o coração aberto...para alguma vagadunda solidão.beijos.julio
</a>
(mailto:jjbbranco@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Janeiro de 2006 às 12:48
Olá minha querida, lindo texto, pleno de sentimentos de liberdade, tão nossos e no entanto tão comuns! Porque o amanhã não existe...voa hoje! BeijinhoLaços...
(http://fly4you.blogs.sapo.pt)
(mailto:arquitectura@escala-urbana.pt)


De Anónimo a 27 de Janeiro de 2006 às 01:14
Sou também uma vagabunda à procura do esquecimento onde só encontro lembranças...saltitando de porto em porto...a caminho do teu que sei ser um Porto de Abrigo!
Um beijo AmigaLeonor
</a>
(mailto:leonorcalves@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Janeiro de 2006 às 00:03
Felizmente que o teu pensamento é vagabundo, porque é livre como o vento e essa liberdade ninguém a pode tirar. Mas falas do tempo e ele tudo começa e tudo acaba, é rei e senhor, como dizes no teu pensamento vagabundo!segundavida
(http://segundavida.blogs.sapo.pt/)
(mailto:melo887@sapo.pt)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 21:15
Pois tens toda a razão...mas é como dizes, outras pessoas nos esperam...
Um beijorosa maria
(http://aflordapele455.blogspot.com)
(mailto:rosamaria455@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 13:16
Ha! Como eu a entendo tão bem !
Desde garota, que sonhava uma vida simples, sem grandes regras, viver sem incomodar o próximo, mas viver a minha vida, não vive-la "só" em funçao dos outros. Tambem sou amante da noite, pelas mesmas razões...porke enquanto os outros dormem, eu oiço a minha musica, leio os meus livros, vejo os meus filmes, conto as estrelas, é no silencio da noite que questiono todo o meu passado...um passado preenchido de "cedencias".
E agora...alguem me disse que estava na hora de pensar em mim...será que tenho ainda tempo?
Recordo uma frase da Joan Baez, que dizia "Já
que não podes escolher como e quando vais morrer...escolhe como vais viver!"
Gostava tanto de poder ter escolhido, mas os ponteiros do relógio só tem um sentido...
Amiga pensadora,
O seu cantinho é delicioso, e eu não sei porquê, sinto-me em casa, quando por aqui passo.
Um grande abraço.HataMae
(http://www.voahato.blogspot.com)
(mailto:maoliveira50@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 12:17
É sempre bom ter-mos os nossos próprios momentos. Não é só bom, é preciso. =)A Espectadora
(http://espectadora.blogs.sapo.pt)
(mailto:amff@iol.pt)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 09:04
Somos mesmo escravos do tempo. Briga-se e luta-se por direitos inerentes a condição humana (liberdade; livre expressão pensamento; igualdade de direitos etç), mas contra o tempo acho que nunca tivemos direito algum. Mesmo quando há tempo não temos tempo. Sei que é um paradoxo, mas se pensarmos bem o tempo faz de nós meros joguetes em suas mãos. Por isso mesmo, quando se pensa que o enganamos e disfrutamos daqueles momentos tão saborosos, lá ele apareçe de novo ficando apenas aquela sensação boa que foi subitamente interrompida. Já falei demais. Um beijo.zzeka
(http://vamps.blogs.sapo.pt)
(mailto:zzeca855@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 02:11
Sentes falta dessas noites, porque elas eram, verdadeiramente, a identificação da tua liberdade com o que te fazia mais feliz. Há sempre um tempo em nós que o Tempo não nos amarra. Há sempre um tempo em que voamos como as gaivotas, desenhamos formas no céu, caminhamos e corremos pelas águas do mar...
Há sempre um tempo de magia, que o Tempo não vai alcançar. Há sempre um encontro com a parte de ti que não "sente" o turpor do tempo.
Só quando o pensamento quer coisas, e quer ter o que não tem, e quer guardar para ter - só nesse momento, o Tempo "prende" a criança que há em ti…
Amaral
(http://amaralnascimento.blogspot.com)
(mailto:amaralnascimento@hotmail.com)


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