Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

do virtual para o real...

maquina de escrever.jpg

Muitas vezes a passagem do virtual para o real é bastante dura.
Para outros, impossível.
Lembro-me dela, que não era ela, era ele.
Lembro-me dele que não tinha charme algum,
embora fosse um verdadeiro Don Juan no virtual.
Sabia lidar muito bem com as palavras escritas.

Lembro-me de toda aquela falsa alegria que vários deixaram transparecer
durante anos através das letras e que, no real, não passaram de farsas
Lembro-me de opções sexuais que não eram verdadeiras
e de amizades que não foram sinceras.


Lembro-me de críticos literários.
Viviam de um sonho que possivelmente jamais concretizaram.

Lembro-me dos exaltados, ferozes, provocadores.
Verdadeiras pessoas calmas no real.

Lembro-me de profissões virtuais.
Médicos, Advogados, Engenheiros.
Seres reais que nunca entraram numa universidade.

Lembro-me dos donos da verdade virtuais, apenas virtuais.
No real, não tinham opinião a respeito de nada.
Perdiam-se dentro das suas próprias dúvidas.

Lembro-me dos intelectuais, vários, a maioria de cafés de mesa,
Lembro-me de amores que jamais passaram para o real que no virtual já eram impossíveis.
Se bem que necessários.

Lembro-me do carácter dos seres virtuais.
Como distinguir os bons e os maus?
Ainda não existe em nenhum computador uma peça que se encaixe
e faça uma luz vermelha ou verde piscar a cada e-mail que entra
na nossa caixa de correio dando-nos a informação que precisamos.

Lembro-me dela que tomou ele da outra e dessa mesma outra que nunca foi dele.
Mas havia quem dissesse - Ele é meu! Ela é minha!

No virtual, ninguém nunca foi de ninguém e quando chegaram ao real, poucos foram de alguém.

Lembro-me da unanimidade virtual, talvez a única coisa real.
Lembro-me de enigmas. É assim ou assado? É falso ou verdadeiro?
E lembro-me dos especialistas em enganar, trapacear, provocar.

Lembro-me dos ofendidos, feridos que sangravam virtualmente até não poder mais.

Lembro-me das doenças virtuais(?), das mortes(?), das fugas e dos sumiços.
Seres que nem mesmo no virtual conseguiram sustentar seus personagens.

Lembro-me dos ódios e intrigas.

Lembro-me de mim, em meio a um tiroteio invisível e a um carinho duvidoso.
Lembro-me tão bem das carências excessivas que desabrochavam em palavras dolorosas.

Lembro-me da criança que era um adulto e do adulto que era uma criança.
Lembro-me da ofensa, da necessidade de denegrir a imagem de pessoas
que incomodavam a outras pelo simples facto de se destacarem virtualmente.

Lembro-me, finalmente, que o virtual jamais conseguiu ser real
e que o real vivia a anos luz do virtual.

Depois de lembrar-me de tudo isso chego a conclusão que apenas sei
que nada sei sobre o mundo virtual, assim como ninguém sabe.


Mas que ele me atrai, atrai...

pensadora
publicado por pensadora2 às 18:38
link | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. na falta de inspiração...

. acordes da vida...

. adversidades da vida...

. neste momento só me resta...

. tentarei pensar...

. disfarce autorizado...

. um mimo do meu marinheiro...

. a ausência...

. o silêncio...

. resistir ao inverno...

.arquivos

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds