Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2006

o sapo apaixonado...

Sapo1.jpg

( hoje vou contar uma história diferente , uma história para crianças, mas não vão já embora continuem a ler…porque talvez muitos de nós nos identifiquemos com este conto…)


O sapo estava sentado à beira do rio.
Sentia-se esquisito.
Não sabia se estava contente ou se estava triste.
Toda a semana tinha andado a sonhar.
Que é que teria?
Então encontrou o Porquinho.
- Olá, Sapo - disse o Porquinho. - Não estás com muito bom ar. Que é que tens?
- Não sei - disse o Sapo. - Tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum - tum.
- Talvez estejas constipado - disse o Porquinho. - É melhor ires para casa e meteres-te na cama.
O Sapo continuou o seu caminho. Estava preocupado.
Depois passou por casa da Lebre.
- Lebre disse ele -, não me sinto bem.
- Entra e senta-te um bocadinho - disse a Lebre, muito simpática.
- Ora então, que é que tens?
- Umas vezes fico com calor e outras vezes fico com frio. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum.
E pôs a mão no peito.
A Lebre pensou muito, como um verdadeiro médico. Depois disse:
- Já sei. É o teu coração. O meu também faz tum-tum.
- Mas o meu às vezes faz tum-tum mais depressa do que de costume - disse o Sapo.
- Faz um-dois, um-dois, um-dois.
A Lebre foi buscar à estante um grande livro e pôs-se a virar as folhas.
- Aha! - disse ela. - Ora ouve. Coração a bater acelerado, ataque de calor e de frio… quer dizer que estás apaixonado!
- Apaixonado? - disse o Sapo, surpreendido. - Ena pá! Estou apaixonado!
E ficou tão contente que deu um salto enorme pela porta fora.

O Porquinho assustou-se muito quando o Sapo de repente caiu do céu.
- Parece que estás melhor - disse o Porquinho.
- E estou! Sinto-me óptimo - disse o Sapo. - Estou apaixonado!
- Bem isso é uma boa notícia. Por quem é que estás apaixonado? - perguntou o Porquinho.
O Sapo não tinha tido tempo para pensar nisso.
- Já sei! - disse ele. - Estou apaixonado pela linda e adorável patinha branca!
- Não pode ser - disse o Porquinho. - Um Sapo não pode estar apaixonado por uma pata. Tu és verde e ela é branca.
Mas o Sapo não se importou com isso.

Não sabia escrever, mas sabia fazer bonitas pinturas.
Quando voltou para casa fez uma pintura linda, com vermelho e azul e muito verde, que era a cor que ele gostava mais.
À noite, quando já estava escuro, saiu com a pintura e enfiou-a por baixo da porta da pata.
Com a emoção, tinha o coração a bater com toda a força.
A Pata ficou muito admirada quando encontrou a pintura.
- Quem é que me terá mandado esta linda pintura? - exclamou ela, e pendurou-a na parede.
No dia seguinte o Sapo colheu um belo ramo de flores.
Ia oferecê-las à Pata.
Mas quando chegou à porta não teve coragem para a enfrentar.
Pôs a flores na soleira da porta e fugiu o mais depressa que pôde.
E assim continuaram as coisas, dia após dia.
O Sapo não conseguia arranjar coragem para falar.
A Pata andava muito contente com todos aqueles belos presentes.
Mas quem é que os mandaria?
Pobre Sapo!
Perdeu o apetite e à noite não conseguia dormir…
E as coisas continuaram assim durante semanas.
Como é que havia de mostrar à Pata que gostava dela?
- Tenho de fazer uma coisa de que mais ninguém seja capaz - decidiu ele. - Tenho de bater o recorde do mundo de salto em altura! A Patinha vai ficar muito surpreendida, e depois ela também vai gostar de mim.
O Sapo começou logo a treinar.

Praticou salto em altura durante dias a fio.
Saltava cada vez mais alto, até às nuvens.
Nunca nenhum sapo do mundo tinha saltado tão alto.
- Que terá o Sapo? - Perguntava a Pata preocupada. - Saltar assim é perigoso. Ainda acaba por se magoar.
E tinha razão.
Às duas horas e treze minutos da tarde de Sexta-feira, as coisas correram mal.
O Sapo estava a dar o salto mais alto da história quando perdeu o equilíbrio e caiu ao chão.
A Pata, que ia a passar nessa altura, veio a correr ajudá-lo.
O Sapo mal conseguia andar. A Pata amparou-o com carinho e levou-o para casa. Tratou dele com toda a ternura.
- Ó Sapo, podia ter-te matado! - disse ela. - Olha que tens de ter cuidado. Gosto tanto de ti!
Então, finalmente o Sapo lá conseguiu arranjar coragem:
- Eu também gosto muito de ti, querida Pata - balbuciou ele.
Tinha o coração a fazer tum-tum mais depressa do que nunca, e ficou com a cara muito verde.
Desde então, amam-se perdidamente.
Um sapo e uma pata…
Verde e branca.
O amor não conhece barreiras.

"Max Velthuijs"



Ao longo da vida já muitos de nós nos sentimos sapos ou patas porque não queríamos ou a sociedade não nos deixava amar alguém só porque não era da nossa raça, cor, religião extracto social ou porque era do mesmo sexo…

E fomos escondendo esse amor , alguns vencemos outros deixámos nos vencer por medo inseguranças incertezas…e continuamos a pensar no sapo ou na patinha branca e como tudo poderia ser diferente…

Será que o amor conhece barreiras? Ou alguém tem o direito de as colocar?

pensadora
publicado por pensadora2 às 18:48
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28 comentários:
De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 18:57
Pensadora, esta não é uma história de crianças, é uma fábula muito actual "De como viver o amor"... Adoro fábulas. BeijoMaria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:mantosilva@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 15:07
Bem mais uma história linda a que nos contas...
Beijos para ti e para os teus Marinheiros ;-)Perfect Woman
(http://perfectwoman63.blogspot.com/)
(mailto:perfect_woman63@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 13:46
linda...
o amor não devia ter barreiras, mas...

um beijo culturalmixtu
(http://www.mixtu.blogspot.com)
(mailto:mixxtu@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 13:46
linda...
o amor não devia ter barreiras, mas...

um beijo culturalmixtu
(http://www.mixtu.blogspot.com)
(mailto:mixxtu@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 11:23
claro que ninguém tem o direito de colocar barreiras, o amor é para ser vivido intensamente sem obstáculos...é uma história muito lindo...adorei ler... soldeinverno
(http://cartasdeamorparati.blogspot.com)
(mailto:soldeinverno@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 09:37
Olá minha querida, o amor não deveria conhecer quaisquer barreiras...afinal a vida não espera por nós! Beijinhos, está bonito o teu texto.Laços...
(http://fly4you.blogs.sapo.pt)
(mailto:arquitectura@escala-urbana.pt)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 08:56
Vou contar uma história...
...um dia conheceram-se pessoalmente e prometeram tudo fazer para serem amigas para sempre!!!
Adorei-vos, adoro-vos, obrigada (tenho o meu coração a bater tum, tum, tum):-), sei que estou apaixonada!
Beijinho com muito carinho
liberdademais
</a>
(mailto:liberdademais@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 08:36
é uma história realmente linda ,mas não passa disso mesmo,a realidade é outra bem diferente ,onde impera a mentira ,o egoísmo e a desigualdadeQuazar
</a>
(mailto:ferrj@i0ol.pt)


De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 00:38
.......Um beijoLeonor
</a>
(mailto:leonorcalves@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2006 às 23:37
Olá Pensadora!
Sim, sou eu que estou na fotografia do meu penúltimo texto!
Obrigado pelas visitas e pelos comentários!
Gostei muito dos teus últimos textos, deste último em especial!
Infelizmente, a sociedade não aceita diferenças...se as coisas não forem como ela dita, coitada da pessoa que está a ser sujeita a críticas.
O meu apoio para todas as pessoas que se encontram nessa situação desconfortável!
Beijinhos.Hélder Durão
(http://personalbook.blogs.sapo.pt)
(mailto:helder_durao@hotmail.com)


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